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Adjetivos

Conivente

conivente /ko.niˈvẽ.tʃi/ adjetivo de dois gêneros

Também escrito como: conivente com · ser conivente

Publicado em Atualizado em 4 min de leitura Por Stéfano Barcellos

Definição

Que tolera, aceita ou encobre uma ação errada, ilícita ou reprovável, em geral por omissão, silêncio ou acordo implícito.

Cartão do verbete conivente: Que tolera, aceita ou encobre uma ação errada, ilícita ou reprovável, em geral por omissão, silêncio ou acordo…
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Definição ampliada

Conivente qualifica quem, sabendo de uma conduta censurável, deixa de impedi-la ou a aceita de modo tácito. O termo costuma indicar participação indireta em irregularidades, abusos ou faltas éticas. Em uso menos frequente, pode referir-se ao que concorda ou se ajusta a determinada situação, sem necessariamente envolver reprovação moral.

Origem e etimologia

Do latim conivens, particípio presente de conivere, ‘fechar os olhos’, ‘dissimular’, formado por com- e nictare, ‘piscar’.

Significado de conivente

Conivente é o adjetivo que descreve a pessoa que tolera, aceita ou encobre uma ação errada, ilícita ou moralmente reprovável. Em geral, a conivência não exige que alguém pratique diretamente o ato: ela pode ocorrer pelo silêncio, pela omissão, pela falta deliberada de reação ou por um entendimento não declarado entre os envolvidos.

Assim, dizer que alguém foi conivente com uma fraude, uma agressão ou uma irregularidade significa que essa pessoa sabia, suspeitava de forma relevante ou tinha condições de agir, mas escolheu não se opor à situação. O emprego da palavra costuma carregar crítica, pois associa a omissão a uma forma indireta de colaboração.

O adjetivo é uniforme quanto ao gênero: uma pessoa conivente e um gestor conivente. O plural é coniventes.

Como a conivência ocorre

A conivência pode ser expressa ou tácita. Ela é expressa quando há autorização, consentimento ou apoio claramente manifestado. É tácita quando não há declaração formal, mas o comportamento revela tolerância consciente diante do que ocorre.

  • Por silêncio: uma pessoa presencia uma irregularidade e evita relatá-la para proteger quem a praticou.
  • Por omissão: alguém responsável por fiscalizar deixa deliberadamente de tomar providências.
  • Por encobrimento: documentos, informações ou fatos são ocultados para impedir a apuração de uma falta.
  • Por tolerância reiterada: uma conduta inadequada se repete porque aqueles que poderiam interrompê-la a aceitam.

Nem toda ausência de ação, porém, configura conivência. Para usar o termo com precisão, é importante considerar se a pessoa tinha conhecimento da situação, possibilidade de intervenção e alguma disposição de aceitá-la ou favorecê-la. Quem desconhece o fato ou não dispõe de meios razoáveis para agir não é, necessariamente, conivente.

Uso em contextos jurídicos e éticos

No uso cotidiano, conivente é uma palavra frequente em discussões sobre ética, relações de trabalho, vida pública, escola e família. Ela serve para censurar a tolerância diante de comportamentos como assédio, discriminação, corrupção, mentira ou violência.

Em contextos jurídicos, o termo pode aparecer em textos argumentativos, notícias e decisões para caracterizar uma suposta colaboração ou tolerância com ato ilícito. Contudo, a conivência, por si só, não corresponde automaticamente a uma categoria jurídica específica nem prova responsabilidade criminal ou civil. A responsabilização depende das circunstâncias, das normas aplicáveis, das provas e do grau de participação de cada pessoa.

Ser conivente não é apenas concordar verbalmente: muitas vezes, é deixar que algo errado continue acontecendo apesar da possibilidade de reagir.

Por isso, em acusações concretas, a palavra deve ser empregada com cuidado. Ela sugere conhecimento e adesão, ainda que indireta, a uma conduta reprovável.

Outros sentidos e usos

Embora o sentido de tolerância ou encobrimento seja o mais comum no português brasileiro atual, conivente também pode indicar, em registros mais formais ou menos frequentes, algo ou alguém que concorda, se harmoniza ou se mostra favorável a determinada circunstância. Nesse emprego, o tom não precisa ser acusatório.

Por exemplo, uma medida pode ser descrita como conivente com certos interesses quando favorece ou se ajusta a eles. Ainda assim, esse uso tende a preservar a ideia de anuência ou acomodação e, conforme o contexto, pode conservar uma nuance crítica.

  • Uso mais comum: tolerante ou cúmplice por omissão diante de algo errado.
  • Uso menos frequente: que concorda, se ajusta ou é favorável a uma situação.
  • Sinônimos e diferenças de sentido

    Entre os sinônimos possíveis de conivente estão cúmplice, complacente, condescendente, tolerante e cooperador, mas eles não são equivalentes em todos os contextos.

    • Cúmplice costuma indicar participação mais direta ou ligação mais estreita com o ato praticado.
    • Complacente destaca a tolerância excessiva, por vezes por indulgência ou falta de rigor.
    • Condescendente pode significar excessivamente permissivo, sem pressupor necessariamente um ilícito.
    • Tolerante é mais amplo e pode ter sentido positivo, como no respeito a diferenças; por isso, não substitui sempre conivente.

    O antônimo mais direto é intransigente, quando se trata de recusa firme a uma conduta. Conforme a frase, também podem funcionar como opostos vigilante, crítico, denunciante e opositor.

    Exemplos de uso

    • O supervisor foi acusado de ser conivente com as fraudes cometidas pela equipe.
    • Ao ignorar as ofensas repetidas, a direção parecia conivente com o bullying.
    • Ela não participou do desvio, mas foi conivente ao esconder informações importantes.
    • O regulamento não pode ser conivente com práticas que prejudiquem os consumidores.
    • Ser conivente com uma injustiça pode contribuir para que ela se repita.

    Em todos esses exemplos, a palavra indica uma relação de tolerância, omissão ou aceitação diante de algo considerado inadequado.

    Exemplos de uso

    • O supervisor foi acusado de ser conivente com as fraudes cometidas pela equipe.
    • Ao ignorar as ofensas repetidas, a direção parecia conivente com o bullying.
    • Ela não participou do desvio, mas foi conivente ao esconder informações importantes.
    • O regulamento não pode ser conivente com práticas que prejudiquem os consumidores.
    • Ser conivente com uma injustiça pode contribuir para que ela se repita.

    Perguntas frequentes sobre conivente

    O que significa ser conivente?

    Ser conivente é tolerar, aceitar ou encobrir uma conduta errada, geralmente por silêncio, omissão ou acordo implícito.

    Conivente é o mesmo que cúmplice?

    Não exatamente. Cúmplice tende a indicar participação mais direta em um ato, enquanto conivente pode ser quem colabora indiretamente ao aceitar, permitir ou não impedir a conduta.

    Conivente tem sentido sempre negativo?

    No uso mais comum, sim, porque costuma se referir à tolerância diante de algo reprovável. Em usos formais menos frequentes, pode indicar apenas concordância ou adaptação a uma situação.

    Qual é o feminino de conivente?

    A forma é conivente tanto no masculino quanto no feminino: homem conivente e mulher conivente.

    Como se escreve conivente?

    Escreve-se conivente, com c no início, n após o o e v antes de ente.

    Assuntos

    adjetivos ética comportamento conivência língua portuguesa

    Sobre o autor

    Stéfano Barcellos Formado em Direito

    Stéfano Barcellos é formado em Direito e responde pela redação e pela revisão dos verbetes do Dicionário de Base. Trabalha com pesquisa terminológica e escrita de referência, com foco em linguagem clara e precisão conceitual.

    Conteúdo revisado editorialmente antes da publicação. Última revisão: 3 de setembro de 2026. Falar com o autor

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