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Ética e comportamento

Complacência

complacência /kõ.plaˈsẽ.sjɐ/ substantivo feminino

Também escrito como: complacencia

Publicado em Atualizado em 4 min de leitura Por Stéfano Barcellos

Definição

Atitude de tolerar, aceitar ou aprovar algo com indulgência excessiva, sobretudo quando seria necessária crítica, vigilância ou firmeza.

Cartão do verbete complacência: Atitude de tolerar, aceitar ou aprovar algo com indulgência excessiva, sobretudo quando seria necessária crítica…
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Definição ampliada

Complacência designa a disposição de ceder, relevar ou aceitar condutas, erros e situações sem a oposição considerada necessária. Em geral, o termo tem sentido crítico, pois sugere passividade ou conivência diante de algo inadequado. Também pode indicar satisfação consigo mesmo ou com determinada situação, uso menos frequente no português atual.

Origem e etimologia

Do latim complacentia, “agrado, satisfação, benevolência”, derivado de complacēre, “agradar, ser agradável”.

Significado de complacência

Complacência é a atitude de aceitar, tolerar ou relevar algo com indulgência excessiva. A palavra costuma ser empregada quando uma pessoa, um grupo ou uma instituição deixa de reagir com o rigor, a crítica ou a firmeza esperados diante de um erro, de uma injustiça, de um abuso ou de uma falha.

No uso mais comum no Brasil, o termo tem valor negativo ou de advertência. Dizer que houve complacência com uma irregularidade, por exemplo, significa que ela foi tratada com tolerância indevida, sem a devida responsabilização. A complacência pode decorrer de medo, conveniência, interesse, acomodação ou falta de atenção.

O substantivo deriva do adjetivo complacente, que caracteriza quem demonstra essa disposição de tolerar ou ceder em excesso. A crítica à complacência não equivale, porém, a condenar toda forma de compreensão ou perdão: o problema está no excesso de tolerância quando ele favorece a repetição de uma conduta prejudicial.

Usos e sentidos da palavra

O sentido mais buscado de complacência é o de tolerância indevida ou falta de rigor. Ele aparece com frequência em debates sobre ética, política, educação, trabalho, segurança e relações pessoais. Nesses contextos, a palavra se aproxima de permissividade e conivência, embora não seja idêntica a elas.

Há também um sentido menos corrente, ligado a contentamento, satisfação ou autossatisfação. Nesse emprego, a complacência pode designar uma atitude de quem se mostra excessivamente satisfeito consigo mesmo, sem reconhecer falhas ou necessidade de mudança. É um uso presente em textos formais, filosóficos e literários.

  • Sentido: tolerância excessiva diante de erro ou conduta inadequada.
  • Exemplo de contexto: “A complacência com fraudes compromete a confiança na instituição.”
  • Valor usual: crítico ou negativo.
  • Sentido menos frequente: satisfação consigo mesmo ou acomodação autossatisfeita.
  • Complacência, conivência e tolerância

    Complacência, conivência e tolerância podem ocorrer em contextos próximos, mas apresentam diferenças importantes. A tolerância pode ser uma qualidade positiva, relacionada ao respeito a opiniões, hábitos ou diferenças legítimas. Ela se torna problemática apenas quando encobre práticas danosas ou injustas.

    A conivência, por sua vez, geralmente implica participação indireta, anuência consciente ou omissão diante de algo reprovável. A complacência não exige necessariamente que a pessoa participe do ato; basta que o aceite ou o trate com benevolência excessiva. Ainda assim, em muitos enunciados, as duas palavras podem ser usadas como sinônimas.

    • Tolerância: aceitação respeitosa de diferenças ou paciência diante de situações; pode ter sentido positivo.
    • Complacência: indulgência excessiva diante de falhas ou desvios; normalmente tem sentido crítico.
    • Conivência: concordância, cumplicidade ou omissão consciente perante algo condenável.
    • Permissividade: tendência a permitir demais, especialmente em normas, educação ou disciplina.

    Como empregar complacência

    A palavra é frequentemente usada com as preposições com, diante de e em relação a. São usuais construções como “complacência com erros”, “complacência diante da violência” e “complacência em relação ao descumprimento das regras”.

    Por ser um substantivo feminino, admite artigos e concordâncias no feminino: “a complacência”, “uma complacência perigosa”, “as complacências do sistema”. Em registros mais formais, pode ser acompanhada por adjetivos que precisem seu grau ou sua natureza, como excessiva, indevida, institucional e moral.

    Não se deve confundir firmeza com intolerância: combater a complacência diante de abusos não significa recusar o diálogo ou a compreensão.

    Em textos argumentativos, o vocábulo é útil para apontar a insuficiência de uma resposta institucional ou pessoal. Seu emprego pede atenção ao contexto, pois a acusação de complacência sugere que alguém deveria ter agido de modo mais crítico, vigilante ou responsável.

    Origem e etimologia

    Complacência vem do latim complacentia, com o sentido de agrado, satisfação ou benevolência. Esse substantivo se relaciona ao verbo complacēre, “agradar” ou “ser agradável”. A história da palavra ajuda a explicar tanto o antigo sentido de satisfação quanto o emprego moderno ligado à indulgência.

    Com o tempo, sobretudo em usos morais e sociais, a ideia de benevolência passou a receber avaliação negativa quando aplicada sem critério. Assim, a complacência passou a designar não apenas gentileza ou aprovação, mas uma brandura excessiva perante o que exigiria limite ou reprovação.

    Observações de uso

    Complacência não é sinônimo automático de gentileza, empatia ou perdão. Essas atitudes podem ser adequadas e construtivas quando preservam a responsabilidade e os limites necessários. A complacência, ao contrário, costuma pressupor que a tolerância ultrapassou um ponto razoável.

    Também convém evitar a grafia sem acento em textos formais. A forma padrão é complacência, com acento agudo no ê da sílaba final. A palavra é paroxítona terminada em ditongo crescente, e sua pronúncia corrente é “com-pla-CÊN-cia”.

    Exemplos de uso

    • A complacência com pequenos desvios pode abrir espaço para problemas maiores.
    • O relatório criticou a complacência da direção diante das denúncias.
    • Ela demonstrou compreensão, mas não complacência com a repetição do erro.
    • A sociedade não deve confundir tolerância religiosa com complacência diante da violência.
    • A autocomplacência impediu que o grupo reconhecesse suas próprias falhas.

    Perguntas frequentes sobre complacência

    O que significa complacência?

    Complacência é a tolerância ou indulgência excessiva diante de erros, abusos ou condutas inadequadas, geralmente com sentido crítico.

    Complacência é algo positivo ou negativo?

    Na maior parte dos usos atuais, tem sentido negativo, por indicar falta de firmeza ou de crítica onde elas seriam necessárias. Em sentido menos comum, pode significar satisfação ou agrado.

    Qual é a diferença entre complacência e conivência?

    A complacência é a aceitação indulgente de algo inadequado. A conivência sugere anuência mais consciente ou cumplicidade, ainda que por omissão.

    Qual é o adjetivo de complacência?

    O adjetivo é complacente, usado para descrever quem tolera, aceita ou releva algo com excesso de indulgência.

    Como se escreve complacência?

    Escreve-se complacência, com cedilha em “ç” e acento agudo em “ê”.

    Assuntos

    complacência comportamento ética vocabulário língua portuguesa

    Sobre o autor

    Stéfano Barcellos Formado em Direito

    Stéfano Barcellos é formado em Direito e responde pela redação e pela revisão dos verbetes do Dicionário de Base. Trabalha com pesquisa terminológica e escrita de referência, com foco em linguagem clara e precisão conceitual.

    Conteúdo revisado editorialmente antes da publicação. Última revisão: 3 de setembro de 2026. Falar com o autor

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