Chauvinismo
chauvinismo /ʃo.vi.ˈnis.mo/ substantivo masculino
Também escrito como: chauvinismo masculino · chauvinismo nacionalista
Definição
Atitude de superioridade exagerada e sem fundamento em relação ao próprio grupo, especialmente o sexo masculino ou a nação, com desvalorização dos demais.
Definição ampliada
No uso mais comum no Brasil, chauvinismo designa a crença ou a conduta que atribui superioridade aos homens e inferioriza, discrimina ou restringe as mulheres. Em sentido mais amplo, refere-se à exaltação acrítica do grupo ao qual alguém pertence, como um país, uma cultura, uma profissão ou uma comunidade. O termo costuma ter valor negativo, pois indica parcialidade, intolerância ou desprezo por grupos externos.
Origem e etimologia
Do francês chauvinisme, derivado do sobrenome de Nicolas Chauvin, personagem associado à devoção patriótica excessiva a Napoleão Bonaparte.
Significado de chauvinismo
Chauvinismo é a atitude de exaltação excessiva e acrítica do grupo ao qual uma pessoa pertence, acompanhada frequentemente da ideia de que esse grupo é superior aos demais. A palavra tem uso negativo, pois descreve uma postura marcada por preconceito, parcialidade e dificuldade de reconhecer qualidades, direitos ou capacidades em quem está fora do próprio grupo.
No Brasil, o sentido mais corrente é o de chauvinismo masculino, também chamado de machismo em muitos contextos. Nesse emprego, o termo indica crenças, falas ou práticas que apresentam os homens como naturalmente mais capazes, importantes ou aptos à liderança do que as mulheres. Pode manifestar-se em comentários aparentemente cotidianos, na distribuição desigual de tarefas, na desvalorização profissional ou na defesa de papéis rígidos para homens e mulheres.
Em sentido mais amplo, chauvinismo também se aplica ao nacionalismo extremado: a convicção de que a própria nação é inerentemente superior às outras e merece privilégios sem consideração crítica pelos fatos ou pelos direitos alheios. O vocábulo pode ainda ser usado para grupos culturais, religiosos, profissionais ou regionais.
Origem e etimologia
A palavra veio do francês chauvinisme, formada a partir do sobrenome de Nicolas Chauvin. Chauvin é uma figura ligada à tradição popular francesa, retratada como um soldado de fidelidade exagerada a Napoleão Bonaparte e à França. Embora a existência histórica e os detalhes biográficos do personagem sejam incertos, seu nome tornou-se símbolo de patriotismo cego e exagerado.
Inicialmente, o termo estava associado à exaltação nacionalista. Com o tempo, seu sentido foi ampliado para indicar qualquer apego fanático à superioridade do próprio grupo. No século XX, sobretudo em inglês e em outras línguas, difundiu-se a expressão male chauvinism, relativa à superioridade presumida dos homens; esse uso influenciou fortemente o emprego contemporâneo de chauvinismo em português.
Usos e sentidos correntes
O contexto define qual grupo está sendo indevidamente exaltado. Embora o sentido ligado à desigualdade entre homens e mulheres seja muito frequente, não é o único possível.
- Chauvinismo masculino: visão que considera homens superiores às mulheres ou que naturaliza a submissão, a dependência e a limitação feminina.
- Chauvinismo nacionalista: patriotismo levado ao extremo, com glorificação acrítica do próprio país e hostilidade ou desprezo por outros povos.
- Chauvinismo de grupo: crença de que uma comunidade, profissão, região, geração ou cultura é superior às demais apenas por pertencer a determinado grupo.
O termo não se aplica, em regra, ao simples orgulho de uma origem, de uma cultura ou de uma nacionalidade. A identificação positiva com um grupo não é necessariamente chauvinista. A caracterização depende do exagero, da falta de crítica e, principalmente, da inferiorização de pessoas externas ao grupo valorizado.
Chauvinismo e machismo
Chauvinismo e machismo são palavras próximas, mas não são plenamente equivalentes. Machismo é um termo mais amplo para práticas, valores e estruturas que sustentam a desigualdade entre homens e mulheres e privilegiam a masculinidade. Chauvinismo, por sua vez, enfatiza a crença ou a postura de superioridade de um grupo, podendo referir-se tanto aos homens quanto a outros grupos.
Na linguagem cotidiana, porém, é comum usar “chauvinista” para qualificar uma pessoa machista, sobretudo quando ela expressa abertamente a ideia de que homens são mais competentes, racionais ou adequados a certas funções. Em textos analíticos, pode ser útil explicitar a que tipo de chauvinismo se faz referência, evitando ambiguidades.
| Termo | Ideia central |
|---|---|
| Chauvinismo | Exaltação acrítica do próprio grupo e crença em sua superioridade. |
| Machismo | Conjunto de valores e práticas que inferiorizam mulheres ou privilegiam homens. |
| Nacionalismo | Valorização da nação; pode ser moderada ou assumir formas extremadas. |
| Xenofobia | Hostilidade, discriminação ou aversão dirigida a estrangeiros ou a pessoas percebidas como estrangeiras. |
Como identificar uma postura chauvinista
Uma postura chauvinista costuma aparecer na generalização: características, capacidades ou valores são atribuídos a todas as pessoas de um grupo, como se fossem naturais e imutáveis. Também pode surgir na recusa em admitir contribuições de outros grupos ou na tentativa de justificar privilégios com base em sexo, nacionalidade, origem ou pertencimento social.
- Afirmações de que um grupo é naturalmente mais inteligente, forte ou apto a comandar.
- Desqualificação sistemática das realizações de pessoas de outro grupo.
- Defesa de privilégios como se fossem direitos naturais e incontestáveis.
- Uso de estereótipos para limitar escolhas, direitos ou oportunidades.
- Exaltação do próprio país ou comunidade com desprezo automático pelos demais.
Nem toda discordância, preferência cultural ou crítica a uma conduta é chauvinismo. Para que o termo seja adequado, deve haver uma lógica de superioridade grupal, geralmente associada à desvalorização de quem não integra o grupo favorecido.
Uso na língua portuguesa
O substantivo é masculino: o chauvinismo. O adjetivo correspondente é chauvinista, que pode ser empregado para pessoas, discursos, atitudes ou organizações: “uma fala chauvinista”, “um posicionamento chauvinista”. A forma é invariável quanto ao gênero: “um homem chauvinista” e “uma mulher chauvinista”.
Em registros formais, convém especificar o referente quando necessário: chauvinismo masculino, chauvinismo nacionalista ou chauvinismo cultural. Essa precisão torna mais claro se a crítica se dirige à desigualdade de gênero, ao nacionalismo extremado ou a outra forma de superioridade grupal.
Exemplos de uso
- A campanha foi criticada por reproduzir um chauvinismo masculino ao apresentar mulheres apenas em funções domésticas.
- O discurso combinava chauvinismo nacionalista e hostilidade contra países vizinhos.
- A ideia de que homens não devem demonstrar fragilidade é uma manifestação de chauvinismo.
- O debate questionou o chauvinismo cultural presente na afirmação de que apenas uma tradição seria civilizada.
- A empresa revisou práticas internas que favoreciam lideranças masculinas por pressupostos chauvinistas.
Perguntas frequentes sobre chauvinismo
O que é chauvinismo?
Chauvinismo é a exaltação exagerada e acrítica do próprio grupo, acompanhada da crença em sua superioridade sobre outros grupos.
Chauvinismo é sinônimo de machismo?
Não exatamente. Machismo trata da desigualdade e da superioridade atribuída aos homens; chauvinismo é mais amplo, embora seja frequentemente usado para designar o chauvinismo masculino.
O que é uma pessoa chauvinista?
É uma pessoa que demonstra crença ou atitude de superioridade em favor do grupo ao qual pertence, como homens, nacionais, profissionais ou membros de determinada cultura.
Chauvinismo e patriotismo são a mesma coisa?
Não. Patriotismo é apreço pelo próprio país. Chauvinismo nacionalista envolve exaltação acrítica da nação e tende a desvalorizar outros povos.
Qual é o feminino de chauvinista?
Chauvinista é uma forma invariável quanto ao gênero: usa-se tanto “homem chauvinista” quanto “mulher chauvinista”.
Sobre o autor
Stéfano Barcellos Formado em Direito
Stéfano Barcellos é formado em Direito e responde pela redação e pela revisão dos verbetes do Dicionário de Base. Trabalha com pesquisa terminológica e escrita de referência, com foco em linguagem clara e precisão conceitual.
Conteúdo revisado editorialmente antes da publicação. Última revisão: 3 de setembro de 2026. Falar com o autor
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