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Gramática

ninguém

ninguém /ninˈɡẽj/ pronome indefinido

Também escrito como: nem um · nenhuma pessoa

Publicado em Atualizado em 5 min de leitura Por Stéfano Barcellos

Definição

Pronome indefinido usado para indicar que nenhuma pessoa, nenhum indivíduo ou nenhum ser humano participa de uma ação, possui certa característica ou é referido no contexto.

Cartão do verbete ninguém: Pronome indefinido usado para indicar que nenhuma pessoa, nenhum indivíduo ou nenhum ser humano participa de uma ação…
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Definição ampliada

Ninguém designa ausência total de pessoas em uma situação e ocorre, em geral, em enunciados de sentido negativo: “Ninguém chegou”, “Não vi ninguém”. Embora se refira a pessoas, pode ser empregado de modo amplo para incluir qualquer indivíduo, sem identificação determinada. Em usos substantivados, também pode nomear pessoa sem prestígio, importância ou reconhecimento social.

Origem e etimologia

Do latim nec quem, expressão formada por nec, “nem”, e quem, “alguém; quem”. A forma evoluiu no português até ninguém.

Significado de ninguém

Ninguém é um pronome indefinido empregado para indicar a inexistência de qualquer pessoa em determinada ação, situação ou referência. Equivale, conforme o contexto, a nenhuma pessoa, pessoa alguma ou nenhum indivíduo. Em “Ninguém respondeu à pergunta”, o pronome informa que nenhuma pessoa respondeu.

O termo é frequentemente associado à negação. Pode aparecer como sujeito, objeto ou complemento de uma oração: “Ninguém sabe a resposta”; “Não encontrei ninguém”; “Ele não falou com ninguém”. Ainda que expresse ideia negativa, seu emprego obedece a padrões próprios do português e não deve ser confundido com um substantivo comum.

Em sentido menos literal, ninguém pode ser usado como substantivo para caracterizar uma pessoa tida como sem influência, notoriedade ou valor social. Esse uso, geralmente depreciativo, aparece em frases como “Tratavam-no como um ninguém”.

Classe gramatical e concordância

Ninguém é classificado como pronome indefinido. É invariável: não apresenta formas de feminino, masculino, singular ou plural. Embora a noção seja de ausência de pessoas, a concordância verbal é normalmente feita no singular, pois o pronome tem forma singular.

  • “Ninguém compareceu à reunião.”
  • “Ninguém estava preparado para a notícia.”
  • “Não havia ninguém na recepção.”

Quando ninguém é sujeito, o verbo fica no singular. Em construções com particípio ou adjetivo, a concordância também tende ao masculino singular, por se tratar de pronome sem marca de gênero: “Ninguém foi avisado”. Em contextos específicos, a redação pode ser reformulada para tornar explícita a referência a mulheres ou a grupos mistos, mas a forma do pronome permanece a mesma.

Usos de ninguém na frase

Como sujeito, ninguém ocupa a posição de quem pratica ou deixa de praticar a ação: “Ninguém telefonou”. Como objeto, costuma ocorrer após verbos acompanhados de não ou de outro elemento negativo: “Não conheço ninguém aqui”. Também pode vir regido por preposição: “Ela não depende de ninguém” e “Não entregaram o recado a ninguém”.

Há duas construções muito frequentes. Na primeira, ninguém aparece antes do verbo e a frase dispensa o advérbio não: “Ninguém discordou”. Na segunda, aparece depois do verbo, em estrutura negativa: “Não discordou ninguém”. Esta última é menos usual na linguagem cotidiana, mas é gramaticalmente possível em determinados contextos.

FunçãoExemplo
SujeitoNinguém percebeu o erro.
Objeto diretoNão vi ninguém no corredor.
Complemento com preposiçãoNão conte isso a ninguém.
Uso substantivadoEle se sentia um ninguém na cidade.

Ninguém e a negação

O português admite a chamada concordância negativa, pela qual palavras de sentido negativo podem reforçar a negação sem que isso produza sentido positivo. Assim, frases como “Não vi ninguém” e “Ninguém viu nada” são corretas. Em ambas, a ausência é total: não houve pessoa que viu ou foi vista, conforme o caso.

Quando ninguém vem antes do verbo, normalmente não se acrescenta não: “Ninguém veio”. A forma “Ninguém não veio” não é recomendada na norma-padrão quando se pretende dizer que nenhuma pessoa veio, pois cria uma construção ambígua ou marcada. Quando ninguém vem depois do verbo, é usual a presença de não: “Não veio ninguém”.

Também é comum a combinação com outros termos negativos: “Ninguém disse nada”, “Ninguém nunca explicou isso” e “Não há ninguém em lugar nenhum”. Essas combinações reforçam a ideia de inexistência ou ausência, característica recorrente da sintaxe negativa portuguesa.

Sentidos e expressões correntes

O sentido principal de ninguém é o de nenhuma pessoa. Porém, em registro figurado, sobretudo com artigo indefinido, a palavra pode significar pessoa considerada irrelevante, desconhecida ou sem poder: “Naquela empresa, ele era um ninguém”. Por ter carga ofensiva ou desvalorizadora, esse emprego exige cuidado em situações formais e em referências pessoais.

Algumas expressões ampliam ou enfatizam o pronome. Em “ninguém menos que”, a locução introduz alguém de destaque: “O convidado era ninguém menos que o autor do livro”. Já “ninguém mais, ninguém menos” reforça a identidade de uma pessoa conhecida ou inesperada: “A vencedora foi ninguém mais, ninguém menos que a estreante”.

“Ninguém” indica ausência de pessoa; “alguém” indica uma pessoa não identificada. Os dois pronomes são frequentemente contrastados em frases negativas e interrogativas.

Diferenças entre ninguém, alguém e nenhum

Ninguém refere-se exclusivamente a pessoas ou indivíduos. Alguém, por sua vez, aponta uma pessoa indeterminada, mas existente ou possível: “Alguém deixou um recado”. Nenhum é pronome ou determinante que pode acompanhar ou substituir substantivos de diversos campos: “Nenhum aluno faltou”; “Não recebi nenhum documento”.

Em situações relativas a coisas, não se usa ninguém. O adequado é recorrer a nada, nenhum ou expressão equivalente. Portanto, diz-se “Não havia nada na caixa”, e não “Não havia ninguém na caixa”, salvo se a caixa puder conter uma pessoa e a intenção for indicar que estava vazia de indivíduos.

  • Ninguém: nenhuma pessoa — “Ninguém ligou”.
  • Alguém: alguma pessoa — “Alguém ligou”.
  • Nada: nenhuma coisa — “Nada mudou”.
  • Nenhum: ausência de elemento de uma classe — “Nenhum candidato faltou”.

Exemplos de uso

  • Ninguém chegou antes do horário marcado.
  • Não havia ninguém na sala quando a reunião começou.
  • Ninguém sabe ao certo como o documento desapareceu.
  • Ela não contou a novidade a ninguém.
  • Depois da mudança, ele se sentia um ninguém na cidade.

Perguntas frequentes sobre ninguém

Ninguém é pronome ou substantivo?

Em seu uso principal, ninguém é pronome indefinido e significa “nenhuma pessoa”. Pode ser substantivado em expressões como “um ninguém”, com sentido depreciativo de pessoa sem prestígio ou reconhecimento.

O verbo concorda no singular ou no plural com ninguém?

O verbo fica, em regra, no singular: “Ninguém compareceu”. O pronome ninguém é invariável e exige concordância verbal singular quando exerce a função de sujeito.

É correto dizer “ninguém não veio”?

Na norma-padrão, essa construção não é recomendada para indicar que nenhuma pessoa veio. As formas usuais são “Ninguém veio” e “Não veio ninguém”.

Qual é a diferença entre ninguém e nada?

Ninguém se refere a pessoas ou indivíduos: “Não encontrei ninguém”. Nada se refere a coisas, fatos ou elementos não pessoais: “Não encontrei nada”.

O que significa “um ninguém”?

A expressão designa, de modo figurado e geralmente depreciativo, uma pessoa vista como sem importância, influência ou reconhecimento em determinado meio.

Assuntos

pronomes pronomes indefinidos negação gramática língua portuguesa

Sobre o autor

Stéfano Barcellos Formado em Direito

Stéfano Barcellos é formado em Direito e responde pela redação e pela revisão dos verbetes do Dicionário de Base. Trabalha com pesquisa terminológica e escrita de referência, com foco em linguagem clara e precisão conceitual.

Conteúdo revisado editorialmente antes da publicação. Última revisão: 3 de setembro de 2026. Falar com o autor

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