Ontologia
ontologia /on.to.lo.ˈʒi.a/ substantivo feminino
Também escrito como: ontologias
Definição
Ramo da filosofia que estuda o ser, a existência e as categorias mais gerais pelas quais se compreende a realidade.
Definição ampliada
A ontologia investiga o que significa existir, quais tipos de entidades há e como elas podem ser classificadas e relacionadas. Tradicionalmente vinculada à metafísica, trata de noções como objeto, propriedade, identidade, tempo, espaço, causa e possibilidade. Em áreas técnicas, o termo também designa uma representação organizada de conceitos e relações de um domínio.
Origem e etimologia
Do grego óntos, forma associada a ón, “ser”, e lógos, “estudo”, “tratado” ou “discurso”; chegou ao português por intermédio do latim científico ontologia.
Significado de ontologia
Ontologia é, em seu sentido filosófico mais conhecido, o campo que investiga o ser, a existência e a estrutura mais geral da realidade. Sua pergunta central pode ser formulada de diversas maneiras: o que existe? O que quer dizer que algo existe? Que espécies de coisas compõem o mundo?
O estudo ontológico não se limita a objetos materiais, como corpos, plantas ou planetas. Ele também examina se e como existem entidades abstratas, tais como números, leis, propriedades, relações, possibilidades e eventos. Assim, uma discussão sobre a existência do tempo, da mente, de universais ou de valores pode assumir caráter ontológico.
Embora muitas vezes seja apresentada como parte da metafísica, a ontologia possui foco próprio: a identificação e a análise das categorias fundamentais do real. A metafísica, em sentido amplo, pode abranger ainda questões sobre causalidade, liberdade, identidade pessoal e natureza do mundo.
Origem e desenvolvimento do termo
A palavra deriva de elementos gregos associados a “ser” e “estudo”. O emprego técnico de ontologia consolidou-se na filosofia europeia moderna, especialmente a partir do século XVII, para nomear uma investigação geral acerca do ente e de suas determinações.
Apesar de o nome ser posterior, o problema é antigo. Filósofos da Grécia clássica já discutiam a oposição entre aparência e realidade, a permanência e a mudança, bem como a natureza daquilo que pode ser considerado verdadeiramente existente. Aristóteles chamou de “filosofia primeira” a investigação do ser enquanto ser, ideia que se tornou decisiva para a tradição ontológica.
Na filosofia moderna e contemporânea, o tema recebeu reformulações importantes. Há correntes que buscam descrever as categorias básicas do mundo; outras privilegiam a experiência humana, a linguagem, a história ou as condições pelas quais algo pode ser conhecido como existente.
Principais questões ontológicas
Uma questão ontológica não pergunta apenas como algo funciona ou como pode ser medido. Ela pergunta, antes, que tipo de coisa algo é e qual é seu modo de existência. Por exemplo, ao investigar a mente, pode-se indagar se ela é uma substância distinta do corpo, uma propriedade do cérebro ou um processo que emerge de relações biológicas e sociais.
- Existência: quais entidades existem de fato?
- Categoria: objetos, eventos, propriedades e números pertencem ao mesmo tipo de ser?
- Identidade: o que faz uma coisa continuar sendo a mesma ao longo do tempo?
- Universais e particulares: qual é o estatuto de características gerais, como a cor vermelha, em relação aos objetos particulares?
- Possibilidade: fatos possíveis têm alguma forma de realidade ou são apenas maneiras de falar?
As respostas variam conforme a teoria adotada. O materialismo, por exemplo, tende a atribuir primazia à matéria; o idealismo enfatiza a mente, as ideias ou a consciência; posições pluralistas admitem uma diversidade irredutível de formas de existência.
Ontologia na informática e em áreas especializadas
Fora da filosofia, ontologia é usada em informática, ciência da informação e inteligência artificial para designar um modelo formal de conhecimento. Nesse uso, uma ontologia organiza conceitos de uma área e explicita as relações entre eles, favorecendo a padronização de dados e a comunicação entre sistemas.
Em uma ontologia de saúde, por exemplo, podem ser definidos conceitos como doença, sintoma, exame, medicamento e paciente, além de relações como “trata”, “apresenta” ou “é causado por”. Não se trata, nesse caso, de uma teoria filosófica completa sobre a realidade, mas de uma estrutura conceitual aplicada a um domínio específico.
| Uso | Sentido principal | Exemplo |
|---|---|---|
| Filosofia | Estudo do ser e da existência | Debate sobre a existência de entidades abstratas. |
| Informática | Modelo de conceitos e relações de um domínio | Vocabulário estruturado para integrar dados clínicos. |
| Ciências sociais | Conjunto de pressupostos sobre o que é real em uma pesquisa | Discussão sobre a ontologia adotada por uma teoria social. |
Também se fala em ontologia social, expressão que pode se referir tanto ao estudo filosófico de instituições, grupos e práticas coletivas quanto aos pressupostos sobre a realidade social empregados em determinada pesquisa.
Ontologia, epistemologia e metafísica
Ontologia e epistemologia são áreas próximas, mas não equivalentes. A ontologia pergunta o que existe e como o real se estrutura; a epistemologia investiga o conhecimento, suas fontes, seus limites e seus critérios de justificação. Uma pergunta como “podemos conhecer o mundo externo?” é principalmente epistemológica, embora possa ter consequências ontológicas.
A relação entre ontologia e metafísica varia conforme a tradição. Em muitos contextos, a ontologia é entendida como uma parte da metafísica. Em outros, os termos aparecem quase como sinônimos. Para uso geral, é adequado distinguir a ontologia como o estudo mais diretamente voltado ao ser e às categorias do existente.
Uma tese ontológica afirma algo sobre o que há ou sobre a forma de existência de alguma entidade; uma tese epistemológica afirma algo sobre como esse conhecimento pode ser obtido ou justificado.
Uso e grafia
A forma corrente é ontologia, substantivo feminino: “a ontologia”, “uma ontologia”, “as ontologias”. O plural é ontologias. O adjetivo correspondente é ontológico, com flexões como ontológica, ontológicos e ontológicas.
Em textos acadêmicos, convém observar o contexto. Em filosofia, o termo normalmente se refere à investigação do ser; em computação, costuma indicar uma estrutura de dados ou de conhecimento. Essa distinção evita confundir o uso técnico aplicado com o sentido filosófico tradicional.
Exemplos de uso
- A ontologia investiga quais categorias são necessárias para descrever a realidade.
- O pesquisador apresentou uma ontologia para organizar os dados do acervo.
- A discussão sobre a existência dos números envolve um problema de ontologia.
- A ontologia social analisa a natureza de instituições como o Estado e a família.
- O sistema usa uma ontologia médica para relacionar sintomas, diagnósticos e tratamentos.
Perguntas frequentes sobre ontologia
O que é ontologia em filosofia?
É o ramo da filosofia que estuda o ser, a existência e as categorias fundamentais da realidade, buscando responder o que existe e de que modo existe.
Ontologia e metafísica são a mesma coisa?
Não necessariamente. A ontologia é frequentemente considerada parte da metafísica e concentra-se no ser e nas categorias do existente; metafísica pode ter alcance mais amplo.
O que é uma ontologia na informática?
É uma representação estruturada de conceitos, classes e relações de uma área de conhecimento, usada para padronizar informações e facilitar a interoperabilidade entre sistemas.
Qual é a diferença entre ontologia e epistemologia?
A ontologia pergunta o que existe e como a realidade se organiza. A epistemologia investiga como o conhecimento é obtido, justificado e limitado.
Qual é o adjetivo de ontologia?
O adjetivo é ontológico, com as formas ontológica, ontológicos e ontológicas.
Sobre o autor
Stéfano Barcellos Formado em Direito
Stéfano Barcellos é formado em Direito e responde pela redação e pela revisão dos verbetes do Dicionário de Base. Trabalha com pesquisa terminológica e escrita de referência, com foco em linguagem clara e precisão conceitual.
Conteúdo revisado editorialmente antes da publicação. Última revisão: 3 de setembro de 2026. Falar com o autor
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