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Língua Portuguesa

Proposição

proposição /pro.po.ziˈsɐ̃w/ substantivo feminino

Também escrito como: proposta · enunciado proposicional

Publicado em Atualizado em 5 min de leitura Por Stéfano Barcellos

Definição

Ideia, medida ou enunciado apresentado para ser examinado, discutido ou aceito; na lógica, enunciado declarativo que pode ser verdadeiro ou falso.

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Definição ampliada

Proposição é aquilo que se apresenta à consideração de alguém, como uma ideia, uma proposta, uma questão ou um pedido formal. Em lógica, designa um enunciado declarativo ao qual se pode atribuir valor de verdade. O termo também é empregado em contextos jurídicos, parlamentares, matemáticos e gramaticais, com sentidos técnicos próprios.

Origem e etimologia

Do latim propositio, -onis, com o sentido de “exposição”, “apresentação” ou “proposta”, derivado de proponere, “pôr diante”, “apresentar”.

Significado de proposição

Proposição é uma ideia, medida, afirmação ou questão apresentada para análise, discussão, deliberação ou aceitação. No uso geral da língua portuguesa, a palavra costuma indicar uma proposta submetida a alguém ou a um grupo: pode ser uma sugestão de acordo, uma medida administrativa, um tema para debate ou uma oferta de negócio.

O sentido mais frequente em consultas de caráter escolar e acadêmico é o da lógica. Nesse campo, proposição é um enunciado declarativo completo que admite um valor de verdade: ele pode ser verdadeiro ou falso. Assim, “Brasília é a capital do Brasil” é uma proposição, pois pode ser verificada como verdadeira. Já “Feche a porta” não é uma proposição lógica, porque se trata de uma ordem, e não de uma afirmação avaliável como verdadeira ou falsa.

A palavra deve ser entendida conforme o contexto. Em uma reunião, uma proposição pode ser uma proposta prática; em um texto filosófico, pode ser uma tese ou afirmação; em matemática e lógica, possui um significado técnico mais delimitado.

Proposição na lógica

Na lógica, uma proposição é uma frase declarativa que expressa um juízo e à qual se atribui um valor de verdade. Tradicionalmente, esse valor é indicado por verdadeiro ou falso. Uma proposição não precisa ser verdadeira para ser uma proposição: basta que seja possível classificá-la como verdadeira ou falsa.

  • “O número 8 é par.” — proposição verdadeira.
  • “O Brasil fica na Europa.” — proposição falsa.
  • “A água ferve a 100 °C ao nível do mar.” — proposição que, em condições determinadas, pode ser julgada verdadeira.
  • “Que horas são?” — não é proposição lógica, pois é uma pergunta.
  • “Estude para a prova.” — não é proposição lógica, pois é uma ordem.

Também não constituem, em regra, proposições lógicas enunciados exclamativos, desejos e frases abertas. Uma frase aberta contém uma variável cujo valor não foi definido, como “x é maior que 10”. Ela só passa a ter valor de verdade quando se estabelece a que número ou conjunto o símbolo x se refere.

As proposições podem ser simples ou compostas. A proposição simples não é formada pela união de outras proposições. A composta resulta da associação entre duas ou mais proposições por conectivos como “e”, “ou”, “se... então” e “se, e somente se”.

TipoExemploCaracterística
Simples“Ana trabalha.”Expressa uma única afirmação.
Conjuntiva“Ana trabalha e estuda.”Une afirmações pelo conectivo “e”.
Disjuntiva“Ana trabalha ou estuda.”Apresenta alternativas pelo conectivo “ou”.
Condicional“Se chover, a partida será adiada.”Relaciona uma condição e uma consequência.

Outros sentidos de proposição

Fora da lógica, proposição mantém a noção central de algo posto diante de alguém para apreciação. Em situações cotidianas, é próxima de proposta: “A empresa apresentou uma proposição de parceria”. Nesse emprego, costuma designar uma sugestão organizada, uma oferta ou uma iniciativa sujeita a negociação ou aprovação.

No âmbito jurídico e legislativo, a palavra pode referir-se a uma matéria formal submetida a deliberação de órgão competente. Projetos de lei, requerimentos, emendas, indicações e outras medidas podem ser tratados como proposições, conforme as regras da instituição. O termo não se limita, portanto, a uma simples opinião: frequentemente envolve forma, tramitação e efeitos previstos em normas.

Em filosofia, proposição pode ser a formulação linguística de um conteúdo afirmado ou negado, sobretudo quando esse conteúdo participa de um raciocínio ou argumento. Nesse uso, aproxima-se de enunciado, tese ou juízo, embora esses termos não sejam sempre intercambiáveis.

Na gramática tradicional, “proposição” já foi empregada para nomear uma oração ou uma parte do período. Atualmente, no ensino de língua portuguesa, é mais comum usar os termos oração e período, reservando-se “proposição” principalmente para a lógica, a filosofia e a argumentação.

Uso e distinções importantes

Proposição e proposta são palavras próximas, mas não idênticas em todos os contextos. “Proposta” é mais usual em negociações, ofertas comerciais e sugestões práticas. “Proposição” tende a soar mais formal e é especialmente adequada quando há uma ideia submetida a exame, votação, demonstração ou debate.

afirmação designa o ato ou o conteúdo de afirmar algo, sem exigir necessariamente que a frase esteja sendo submetida a discussão. Uma proposição lógica, porém, é sempre uma afirmação ou negação que pode ser avaliada quanto à verdade. Por isso, perguntas, ordens e exclamações não são proposições lógicas, ainda que sejam enunciados completos da língua.

Convém ainda diferenciar proposição de argumento. A proposição é uma unidade de sentido que pode ser verdadeira ou falsa. O argumento é uma estrutura formada por proposições, em que algumas, chamadas premissas, procuram sustentar outra, denominada conclusão.

Em lógica, uma proposição é avaliada isoladamente quanto à verdade; em um argumento, avalia-se a relação de sustentação entre as proposições.

Exemplos de uso

  • A comissão analisará a proposição antes de encaminhá-la para votação.
  • A pesquisadora apresentou uma proposição sobre os efeitos do desmatamento no clima regional.
  • “Todo triângulo tem três lados” é uma proposição verdadeira.
  • A frase “Venha imediatamente” não é uma proposição lógica, pois expressa uma ordem.
  • O deputado retirou a proposição para apresentar um texto substitutivo.

Origem e formação da palavra

Proposição vem do latim propositio, termo relacionado a proponere, formado por elementos que remetem à ideia de “pôr diante”. Essa origem explica seus sentidos atuais: uma proposição é algo apresentado diante de outra pessoa, de uma assembleia, de um leitor ou de um raciocínio.

Na língua portuguesa, o substantivo é feminino: a proposição. Seu plural é proposições. A forma verbal relacionada é “propor”, como em “propor uma solução” ou “propor uma medida”.

Exemplos de uso

  • A comissão analisará a proposição antes de encaminhá-la para votação.
  • A pesquisadora apresentou uma proposição sobre os efeitos do desmatamento no clima regional.
  • Todo triângulo tem três lados é uma proposição verdadeira.
  • A frase Venha imediatamente não é uma proposição lógica, pois expressa uma ordem.
  • O deputado retirou a proposição para apresentar um texto substitutivo.

Perguntas frequentes sobre proposição

O que é uma proposição?

É uma ideia, proposta ou afirmação apresentada para análise. Em lógica, é um enunciado declarativo que pode ser classificado como verdadeiro ou falso.

Pergunta é proposição lógica?

Não. Perguntas não recebem, por si mesmas, valor de verdade. Para a lógica tradicional, proposições são enunciados declarativos, afirmativos ou negativos.

Uma proposição pode ser falsa?

Sim. Ser falsa não impede que um enunciado seja uma proposição. Basta que seja possível determinar se ele é verdadeiro ou falso.

Qual é a diferença entre proposição e argumento?

A proposição é um enunciado que pode ter valor de verdade. O argumento reúne proposições, chamadas premissas e conclusão, para defender uma conclusão.

Proposição é o mesmo que proposta?

Em certos contextos, sim, pois ambas podem indicar algo submetido à apreciação. Contudo, proposição é mais formal e possui sentidos técnicos na lógica, na filosofia e no direito.

Assuntos

lógica gramática direito argumentação filosofia

Sobre o autor

Stéfano Barcellos Formado em Direito

Stéfano Barcellos é formado em Direito e responde pela redação e pela revisão dos verbetes do Dicionário de Base. Trabalha com pesquisa terminológica e escrita de referência, com foco em linguagem clara e precisão conceitual.

Conteúdo revisado editorialmente antes da publicação. Última revisão: 3 de setembro de 2026. Falar com o autor

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