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Ética e comportamento

Molestado

molestado /mo.lesˈta.du/ adjetivo e particípio do verbo molestar

Também escrito como: molestada · molestados · molestadas

Publicado em Atualizado em 4 min de leitura Por Stéfano Barcellos

Definição

Que foi alvo de molestamento; no uso atual mais frequente, especialmente em notícias e contextos de proteção, que sofreu abuso, assédio ou importunação de natureza sexual.

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Definição ampliada

Molestado designa alguém que foi submetido a molestamento. No português brasileiro contemporâneo, a palavra costuma referir-se a vítima de abuso, assédio ou conduta sexual indesejada, sobretudo quando há vulnerabilidade, constrangimento ou violência. Em sentido mais amplo e hoje menos comum, também pode significar incomodado, perturbado ou importunado.

Origem e etimologia

Do particípio de molestar, verbo vindo do latim <em>molestare</em>, com o sentido de causar incômodo, afligir ou perturbar, derivado de <em>molestus</em>, “incômodo”, “penoso”.

Significado principal

Molestado é o particípio do verbo molestar e pode funcionar como adjetivo. No uso brasileiro atual, ocorre principalmente para indicar que alguém foi alvo de abuso, assédio ou importunação de caráter sexual. É uma palavra frequente em relatos jornalísticos, documentos de proteção à infância, textos jurídicos e narrativas sobre violência.

Nesse emprego, o termo aponta uma situação grave e exige precisão. A palavra pode abranger condutas diferentes, desde contatos físicos não consentidos até atos de exploração ou violência sexual. Porém, o significado exato depende da descrição dos fatos e do contexto em que é usada.

Como se refere a quem sofreu uma ação, “molestado” geralmente aparece acompanhado de indicação da pessoa ou do grupo afetado: “o adolescente foi molestado”, “a criança teria sido molestada”. Quando houver informação insuficiente ou investigação em curso, convém evitar apresentar alegações como fatos comprovados.

Sentido amplo e outros usos

Historicamente, molestar significa causar incômodo, perturbar, afligir ou importunar. Por isso, molestado também pode ter o sentido mais geral de “incomodado” ou “perturbado”. Esse emprego ainda é compreensível, mas é menos comum no português brasileiro contemporâneo, pois a associação com violência sexual se tornou predominante.

Em textos mais antigos, formais ou literários, podem aparecer construções como “não ser molestado durante o repouso” ou “o doente não deve ser molestado”. Nelas, a palavra significa não ser perturbado, importunado ou incomodado. Atualmente, para reduzir ambiguidades, costumam ser preferidas palavras como incomodado, perturbado e importunado, conforme a situação.

  • Uso predominante atual: vítima de abuso, assédio ou importunação sexual.
  • Uso amplo e menos frequente: incomodado, perturbado ou afligido.
  • Em contexto jurídico: a expressão deve ser acompanhada da qualificação adequada dos fatos, pois não substitui a denominação de crimes prevista em lei.

Uso e precisão vocabular

Embora seja corrente na imprensa e na fala cotidiana, molestado não é, por si só, um nome técnico de crime no direito brasileiro. A legislação emprega denominações específicas para condutas e situações determinadas, como estupro, estupro de vulnerável, assédio sexual e importunação sexual. Nem toda conduta descrita socialmente como “molestamento” corresponde ao mesmo enquadramento jurídico.

Assim, em textos informativos, institucionais ou legais, é recomendável explicar o que ocorreu sem usar a palavra como rótulo genérico. Pode-se dizer, por exemplo, que houve “contato físico sem consentimento”, “assédio sexual”, “importunação sexual” ou “suspeita de abuso”, quando esses termos refletirem os fatos conhecidos. A escolha depende das circunstâncias, da idade das pessoas envolvidas, da existência de violência ou ameaça e de outros elementos relevantes.

Também é importante preservar a dignidade da vítima. Expressões que exponham detalhes desnecessários, atribuam culpa a quem sofreu a violência ou transformem o episódio em espetáculo devem ser evitadas. Em contextos de denúncia, proteção ou acolhimento, a clareza e o respeito são essenciais.

Gramática e flexão

“Molestado” é a forma masculina singular do particípio de molestar. Flexiona-se para concordar com o substantivo ou pronome a que se refere. Pode integrar tempos verbais compostos e voz passiva, ou atuar como adjetivo.

FormaExemplo
molestadoO homem foi molestado durante a infância.
molestadaA mulher relatou ter sido molestada.
molestadosOs jovens foram molestados, segundo a denúncia.
molestadasAs vítimas afirmaram ter sido molestadas.

Na voz passiva, a estrutura “foi molestado” destaca a pessoa que sofreu a ação. Já em “teria sido molestado”, o futuro do pretérito pode indicar informação atribuída a uma fonte, hipótese ou fato ainda não confirmado. Essa diferença é relevante sobretudo no noticiário e em relatos formais.

Diferenças entre termos próximos

Assediado é quem sofreu assédio, isto é, investidas, perseguições, pressões ou comportamentos indesejados que podem ser sexuais, morais ou de outra natureza. Importunado é quem foi incomodado de modo insistente ou indevido; em contexto sexual, pode referir-se a ato sem consentimento, mas o alcance depende da descrição.

Abusado, quando aplicado a pessoas, costuma indicar que houve abuso, frequentemente sexual, mas também pode ter outros sentidos. Violentado sugere violência ou violação grave e pode ser empregado em referência a agressões sexuais; por seu peso semântico, deve ser usado com cuidado e apenas quando compatível com os fatos.

Portanto, “molestado” não é sinônimo perfeito de todos esses termos. Ele ganhou forte associação com abuso sexual, mas, em cada caso, a expressão mais adequada será aquela que descreve a conduta com exatidão e sem antecipar conclusão jurídica.

Exemplos de uso

  • A família informou às autoridades que a criança teria sido molestada.
  • A reportagem evitou detalhes que pudessem expor a pessoa molestada.
  • Em documentos antigos, “não ser molestado” pode significar não ser incomodado.
  • O depoimento indicava que a vítima se sentiu molestada por contatos físicos sem consentimento.
  • Para fins jurídicos, é necessário apurar os fatos antes de definir a possível conduta criminosa.

Exemplos de uso

  • A família informou às autoridades que a criança teria sido molestada.
  • A reportagem evitou detalhes que pudessem expor a pessoa molestada.
  • Em documentos antigos, “não ser molestado” pode significar não ser incomodado.
  • O depoimento indicava que a vítima se sentiu molestada por contatos físicos sem consentimento.
  • Para fins jurídicos, é necessário apurar os fatos antes de definir a possível conduta criminosa.

Perguntas frequentes sobre molestado

O que significa molestado?

No uso atual mais comum no Brasil, significa que alguém sofreu abuso, assédio ou importunação de caráter sexual. Em sentido mais amplo, pode significar incomodado ou perturbado.

Molestado é o mesmo que abusado?

Os termos são próximos, mas não são idênticos. “Molestado” costuma ser usado para situações de abuso ou importunação sexual, enquanto “abusado” pode referir-se a diferentes formas de abuso, conforme o contexto.

Molestado é um termo jurídico?

A palavra é usada em relatos e documentos, mas não nomeia, por si só, um crime específico. O direito brasileiro prevê denominações legais próprias para condutas determinadas.

Qual é o feminino de molestado?

O feminino é “molestada”. No plural, usam-se “molestados” e “molestadas”, de acordo com a concordância.

Molestado pode significar incomodado?

Sim. Esse é o sentido histórico e amplo do termo, hoje menos frequente no Brasil, pois a palavra passou a ser fortemente associada a abuso sexual.

Assuntos

molestado molestamento abuso assédio língua portuguesa

Sobre o autor

Stéfano Barcellos Formado em Direito

Stéfano Barcellos é formado em Direito e responde pela redação e pela revisão dos verbetes do Dicionário de Base. Trabalha com pesquisa terminológica e escrita de referência, com foco em linguagem clara e precisão conceitual.

Conteúdo revisado editorialmente antes da publicação. Última revisão: 3 de setembro de 2026. Falar com o autor

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